Pesquisador da UFSM e equipe FieldCrops conhecem a AREAC


Por Vandré Dubiela (Comunicação AREAC)


Com uma visibilidade cada vez mais ampla, em virtude dos projetos e atividades colocados em prática, a AREAC (Associação Regional dos Engenheiros Agrônomos de Cascavel) recebeu no sábado (9 de julho), a visita do pesquisador da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria-RS), Alencar Junior Zanon. Ele estava acompanhado pela equipe FieldCrops, dedicada à pesquisa e extensão em soja, milho e arroz, visando a intensificação sustentável e o lucro do produtor. Todos aproveitaram para conhecer os espaços existentes na AREAC e saborear um suculento almoço, que é servido todos os sábados, no quiosque-bar AREAC.

Antes de visita à entidade, onde recebeu as boas-vindas do vice-presidente, Fernando Pereira, o pesquisador proferiu palestra na Agrícola Andreis e Sipa, abordando o tema Fatores de manejo que limitam a produtividade nas lavouras de soja no Brasil, Estados Unidos e Argentina.



Na foto, o pesquisador Alencar Junior Zanon, o vice-presidente da AREAC, Fernando Pereira e equipoe FieldCrops


AREAC: O Oeste do Paraná é uma sumidade no agronegócio brasileiro e por assim dizer mundial. Existe alguma similaridade nas práticas agricultáveis e de sustentabilidade entre os estados do Paraná e Rio Grande do Sul?


Alencar Zanon: Temos um projeto mundial chamado Global Yield Gap Atlas, em que podemos determinar o quão intenso pode ser o sistema de produção ao redor do mundo. Cheguei há poucos dias dos Estados Unidos, onde existem alguns trabalhos em lavouras em Nebrasca, estado marcado por um cultivo de soja ao ano. Eles plantam em maio e vão colher em setembro/outubro. No restante do período, é neve sobre neve. Se pensar no Rio Grande do Sul, há duas safras, ou seja, plantamos soja no verão e trigo no inverno. Já no Mato Grosso, se planta soja e milho.

Em Santa Helena, na Costa Oeste paranaense, ao fazer recentemente a entrega dos resultados do Campeonato Soybean Money Maker, que visa a lucratividade com a lavoura de soja em todo o Brasil, abrangendo desde o Rio Grande do Sul até o Maranhão, observamos alguns produtores que conseguem cultivar soja, depois milho e posteriormente trigo. Ou seja, em nível mundial, sem sombra de dúvidas, o oeste paranaense é um dos locais do mundo onde se tem a maior intensidade de cultivos em ambiente de sequeiro, ou seja, é possível fazer três cultivos em um único ano agrícola. Realmente, poucos lugares no mundo, se pode ter tanta intensidade de produção de alimentos e de energia como o oeste paranaense.


AREAC: Qual explicação para tamanho desempenho da agricultura nessa região?


Alencar Zanon: Um dos principais motivos é o ambiente biofísico: temperatura, radiação e a chuva, que permite fazer três cultivos ao longo do ano. O solo do Rio Grande do Sul é muito parecido com o do Paraná. Em função do frio, não conseguimos colocar, sob hipótese algum, três cultivos em um mesmo ano agrícola. Mas aqui (Paraná), em virtude da disponibilidade de temperatura, radiação solar e chover ao longo do ano, é possível.


AREAC: Qual sua visão sobre o associativismo. Fazer parte, é importante para o profissional e para o acadêmico de agronomia recém-formado?


Alencar Zanon: Temos as associações de engenheiros agrônomos do Paraná como referências. Estamos impressionados com a AREAC. Toda essa infraestrutura e pessoas motivadas em manter a classe unida, com o objetivo de produzir mais, principalmente com sustentabilidade. É fundamental essa troca de informações e a continuidade da aprendizagem, não somente na academia, mas também na escola da vida. Essa união dos jovens e das pessoas que têm mais experiência é um caminho muito sólido para se alcançar o sonho ou o sucesso. Observamos isso no Paraná e queremos também o mesmo no Rio Grande do Sul.


AREAC: Alguns diretores da AREAC estiveram há alguns meses visitando a UFSM. Há alguma possibilidade de firmar um acordo de cooperação técnica entre as partes?


Alencar Zanon: Estamos trabalhando justamente com esse objetivo, de aproveitar todo o conhecimento de todas essas pessoas que constituem essas associações, e, partir daí, planejar projetos cooperativos, que tem como base a associação, para o desenvolvimento de uma lavoura mais produtiva e sustentável.

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